sábado, 9 de outubro de 2010

Um papel em branco, minha cabeça fica com inveja dessa imagem porque minha mente astá tão suja de idéias, tenho uma idéia por minuto e estrago as imagens , um sábio autor já disse que algumas palavras empobrecem as imagens. O sexo pode parir palavras mas dizê-las tira um pouco do ato que só quer aconchego e resposta porque sexo é o diálogo mais fácil entre um homem e uma mulher. Para outros pares isso não vale.
Quando um momento com aroma e textura e cor encanta de fato, melhor deixar sem verbos imprecisos.
Um soluço adolescente de um amor impossível diz mais em dor e desespero que Lord Byron em poesia. Diante da excitação de uma noite de sexta com balada bebida e amor não há frase de auto-ajuda que alcance o que se sente.
Uma flor pode trazer alegria a um coração feminino como sexo fácil leva ao coração masculino, mas há uma coisa que ambos conhecem que não há ato simbolista e sexual que pague: "liga" "química" é quando você olha pra alguém que em estado são você nem apareceria em público no entanto incoerentemente você não vê a hora de tirar toda a sua roupa e lhe falar coisas que nunca diria ao rapaz bom moço que lhe mandava flores e falava de cinema francês enquanto não reparava nas suas intenções de esmalte vermelho e saia sem calcinha porque se ele reparasse a crítica ao roteiro francês não estragaria uma noite bem latina com tequila, frutas e sem frases, cabem interjeições que são relativas e bem vindas.
Freud quer resolver tudo na cama mas o pensamento feminino é oblíquo tanto quanto os olhos de Capitu consultem Machado numa sessão espírita, que aliás tá na moda.
Gostaria de uma sessão com Clarice confessaria que tomei um porre por ela e interrogaria o Fernando Pessooa: Há paz enfim na morte? ou o martírio continua?.
Enquanto bebo minhas questões existenciais alguém morre, alguém goza, alguém aborta, alguém fecunda. Ah o moundo é caoticamente lindo, e há mistério entre pernas sangue e dor há vida sendo feita porque a ordem natural das coisas é a anarquia o sistema natural do mundo.
Há arte na galeria, não tão densa como as flores sujas da poluição e as capivaras sujas do tietê porque há mais gente aqui fora do que nas galerias repletas de símbolos, signos. Aqui fora as imagens tão grávidas e eu quero assistir ao parto de cada palavra como a palavra limpa e virgem de sentido que vai nascer eu sinto o mundo grávido de um novo conceito que há de querer palavra mais gente, mais justa.
Não vamos esterelizar esses partos pois a palavra orgânica é mais bonita e humana como já deixamos de ser com tana palavra usada velha e sem asilo.amém.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ontem um anjo desceu em forma de borboleta azul com tracinhos amarelos e quis me dizer alguma coisa, mas só pousou numa flor feia num canteiro perto da estação de metrô onde eu parei pra vê-la. Eu tão confusa nos últimos dias tão distante das coisas que me cercam quis um instante com a flor feia e a borboleta colorida o que será que tem nas cores, no existencialismo pulsante e óbvio da vida enquanto; flor, carne, unha, osso e sangue? Os símbolos são nosso inferno metafísico e neurótico? ou é a necessidade da arte vigiar nossa pseudo-sanidade enquanto cria escrava das nossas inquietações?. Sempre tive atração por interrogações e exceções, mas a rotina tende a domesticar meus instintos, viva a borboleta que me salvou num dia de caos enquanto a cotação do dólar preucupava nossos economistas e uma senhora numa cozinha qualquer corta cebolas sem interrogações.
Um cachorro vestido de rosa com uma coleirinha lilás diverte uma mocinha em frente a estação de metrô, ele já não corre por instinto, só pega a bola ao comando de sua dona. Eu morro de medo que a rotina me enfeite com uma coleirinha lilás.
A borboleta é mutante na sua vida de 36 horas. Ela me que há lugar onde o amor não se chama amor e que o instinto ainda é a ordem natural das coisas, e onde há liberdade de ser sem parecer coisa comum, onde a política é a anarquia, mas ela morreu antes de me dizer onde fica tudo isso.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Chorou diante dela. Fez tudo que os livros de auto ajuda não recomendam. Não foi forte, E fez questão de dizê-lo. Quis fazer alarde de sua dor. Disse de como ninguém nunca a amaria assim e que ninguém saberia cuidá-la em suas crises existências. Desceu a rua chorando entre as pessoas. Esperando o ônibus uma velhinha lhe pergunta se pode ajudar. "Não minha senhora, hoje eu morri"diz enquanto soluça feito criança, um jovem da sua idade não segura sua risada e solta uma gargalhada . Se irrita pega o primeiro ônibus que passa e tragicamente, como numa novela mexicana, desce no parque onde pela primeira vez se deu conta dela.
Fazia um dia de frio e chuva e ela ali, lendo um dos mais lidos. Ele olhou com preconceito para sua leitura e com interesse pela moça, boca e bunda eram mais importante e assim conversaram sobre todas as coisas do mundo: chuva, chinelos, cheiros e chifres.
Chorou, o Tietê certamente transbordou nesse dia. Pensava em como tudo isso pôde machucá-lo. Era só tesão no começo, pensava, quase sempre quando pensava nela havia uma cama no mesmo cenário. Lembrou de todas as noites não dormidas e não conseguiu lembrar quando aquilo se transformou nisso que agora soluça e não passa. Nenhuma conclusão.
Teriam sido aqueles poeminhas que dividiram a cama com eles ou a mania dela de perfumar os lençóis antes de se unirem em sexo? ou mesmo aquela idéia idiota de domingos em parques ou mesmo de brincar de índio e passar dia inteiro pelados? resignava-se em interrogações.
Deitou na grama e ali perto um casal quase transava de tanto amasso. Chorou mais ainda o rapaz. Tenta agora procurar razões para não chorar. Ela era um tanto careta, sempre com suas crises, não gostava do meu cachorro e não entendia nada de política, era difícil levar o papo adiante. E no sexo...niguém faz sexo oral como ela, e chora novamente até dormir na grama molhada.
Já é dia, e o rapaz é acordado pelo clarão das 5:30hs. Quem o visse, molhado jogado e de olhos vermelhos diria se tratar de um usuário de drogas e quem soubesse dele teria plena certeza. Uma droga.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Natasha era assim...

Acordou sem saber onde e com quem, nada diferente da última semana, mês. Ano todo assim. Amava todos os meninos que lhe dissessem sim.
Seu corpo em êxtase.Sexo era mais do que importante para a moça, era a única coisa que lhe ligava a outra pessoa. Isso pode soar triste, mas não era .Havia uma felicidade primata em abrir as pernas sem pensar muito, era uma felicidade fácil e diminuia sua tensão diante do mundo.
Domingo, frio.Depois de quatro massos de cigarro e muita café expresso na padaria da esquina Natasha chora, volta pra casa.
Ri da sua angústia, lágrimas e cigarros e a noite chega. A moça sofre ainda. Não entende porque não segue em frente.
Não é simples ter um buraco no peito. O corpo segue feliz em tensão,contração,tesão. E a moça só precisa de um domingo frio pra perceber a solidão. Haja cigarro, haja cama, haja corpo pra que se revolte a alma em busca , Se o desespero de Natasha cessasse ,o soluço aos poucos parava e percebia que já tem o que de fato talvez nem mereça.
Olhos ternos,lindos, contemplativos fitam a moça. É uma cena bonita: olhar morno de afeto, mãos seguras, fortes , uma vontade de eternidade tudo flui do olhar dele, ela é só tesão e pressa, nem percebe. Transam, transam e transam. Se despedem, ela com pressa, ele com pesar. Trocam telefones, ele feliz, ela descrente.
No ônibus, de volta pra sua casa, ela se arrepende."Fiz novamente, quando vou dar meu telefone certo?!tentar" pensa.
A vida às vezes assusta tanto que o refúgio é uma dor já conhecida, chorada.
O medo evita a dor, mas penso que na maioria das vezes evita uma alegria possível.
Hoje Natasha continua abrindo as pernas sem pensar muito, frequenta uma psicóloga e acredita estar apaixonada por ela . A psicóloga, hétero,casada e mãe, ignora esse fato.
Natasha criou mais uma ilusão para chorar em domigos frios e novamente:Haja cigarro, haja cama, haja corpo pra que se revolte a alma em busca.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A estética da chuva

Difícil em dia de chuva perceber a chuva de fato. Há o transito, o calor, a fome e a angústia da espera por descanso enfim. Mas se há um istante de calma há o som da chuva, o cheiro e uma energia pra apaziguar o cansaço.
Através da janela do ônibus, parado há mais de vinte minutos no mesmo farol, vejo um rapaz que segue rápido em direção à faixa de pedestres, parece bravo, semblante fechado, uma moça corre parece segui-lo, ela segura sua mão, o faz parar, olham-se com raiva, carinho, tesão. O olhar dura poucos segundos. Beijam-se sob os pingos e raios da cidade. Imprevisível.
Catarse. O que se quer em dia de chuva? água quente, sopa. Não. Pingos gelados caindo no corpo quente exaustos da rotina fazem bem. Por isso saí do ônibus, embora antes do ponto da minha casa. A chuva em mim alegrou o fim de um dia pesado.
Um pão de mel e uma xícara de café amargo enquanto leio uma poesia, fico assim em estado comtemplativo. É bom. Minha liberdade dói em algum lugar e fico assim a comtemplar as coisas: Formigas, luar, chuva, a memória de meu travesseiro.
Tento me perceber em meus perfumes, músicas, meias e esmaltes. Chego a conclusão nenhuma mas vale o exercício da comtemplação.Cuido de mim quando consigo traçar uma coerencia entre minhas ações e reações nesse chato emaranhado social. Gosto mesmo é de ficar percebendo o gosto que tem tudo: A manga, a língua, o lábio, o álcool.
Já tive muitos sonhos e já borrei muito meu lápis preto. Hoje penso "é bobagem" no entanto todos que dizem "é bobagem" sabem que foram bobagens doloridas; Enfim, nenhum sonho é tão bom quanto a realidade que se tem, pois ela se tem ainda. As coisas são estranhamente boas, incrivelmente há gosto em tudo. Sabor de páginas, cheiro de pele despida, o mormaço nos olhos líquidos de um desejo comum.
A comunhão, há comunhão.
É assim que percebo a estética da chuva, uma sutileza óbvia mas nem sempre fácil, pois carece de comtemplação.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"desmancho, avanço no instinto cego do seu corpo, desfaleço na minha vontade
Desperto novamente pra morrer em voce com a naturalidade dos bichos
Pré-existo em voce"

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

TODAS AS MENTIRAS DO MUNDO

Amar é o verbo mais sujo do mundo,carregado de mentiras encestrais,agora sofisticado através dos comerciais de T.V. ,que não vendem produtos vendem amor que pode ser parcelado em várias vezes no cartão ou boleto bancário.
Amar é o primeiro verbo que nos vem à cabeça quando a gente sua,a barriga gela,a perna treme,no entanto só usamos verbo porque ninguém tem o despudor de dizer:_Porra.
tô morrendo de tesão por voce.Principalmente se esse alguém pra quem voce vai verbalizar seu sentimento ou sensação é um rapaz que ouve música sertaneja,preza a família e acha que voce é virgem,ou se a moça é uma burguesa católica que vê filme americano e para a qual o verbo transar só se conjuga após o verbo sujo amar.
Por tudo isso ando pensando no abandono do verbo amar como alternativa eficiente para a melhoria das relações humanas.
Não tendo mais esse verbo mascarando nossas vontades faríamos melhor uso dos sentidos resgatando verbos como:morder,puxar,arranhar e outros bem mais depravados,no entanto precisos e urgentes e que não causam insônia em ninguém,como fazia antes aquele verbo safado o qual abandonamos.Pense na improvável cena de alguém à noite pensando em voz alta:
_Me morder,Ah ele disse isso.Ou então.
_Meu Deus ela quer me arranhar.
Improvável,praticamente impossível já o verbo sujo sim,insônia,dor de barriga,e nos tempos ultraromanticos até suicídio.Quantas vidas perdidas por privilegiar a idéia e abandonar os sentidos.
Hoje decreto o abandono oficial do verbo AMAR.Sugiro que com os sentidos abertos,atentos e espertos para as energias e insinuações e provocações que o outro cause possanos então criar verbos que alcancem o novo,o intocado que espera.Mas isso só será feito se de fato houver o feto da interseção entre seus sentidos e o que está além,isto é,é quando o que voce sentir não encontrar um verbo que se conjugue fisicamente,então voce será tentado,sua boca irá salivar o gosto velho do verbo abandonado,voce vai sentir um cheiro de amora e coincidentemente vai escutar Marisa Monte que toca num celular qualquer de alguém que passa na rua.
É preciso força e mais memória.Engula esse verbo velho,ele nasceu sujo,esse burguês infeliz,suicida e angustiado que virou senha pra fazer sexo sem culpa.Resgate o espírito anárquico que há em voce,esse verbo é símbolo de consenso,bom senso,ideologia,publicidade barata para vender perfumes,bombons e flores.Seja forte,ficará pálido,buchechas vermelhas,é duro passar por isso,voce esquece os outros verbos e só saliva gosto amargo de verbo velho,então seu lado anárquicosubversivo vai te dominando,voce engole o verbo burguês e continua com os sentidos espertos e escapa de martírios eternos e então parabéns à voce e viva às novas medidas gramaticais,amém.