domingo, 11 de março de 2012

Hoje me deu uma saudade de seu corpo, de seu corpo mesmo, a gente nem se amava no último ano. Li uma crônica do Rubem Braga . Ele descrevia uma mulher nua. eu lembrei de você. Por todas as coisas óbvias que nunca importamos. Eu concordei com ele sobre lembranças eternas e beleza.
Eu matei você, mas como sou sensível , preservei suas havainas perto da cama, até que gastaram. Seu cheiro nos outros me dá crise de espirros. eu continuo amando o Michel Melamed, e você certamente assisti aos piores filmes.
Me apaixonei pela professora de historiografia. Cresci, consegui um desprendimento que me afasta de possíveis enlaces porque eu abandonei o Caeiro e sou amante do Álvaro de Campos e nunca mais disse poesias para pessoas sem roupa, porque não sei quem são como também não sabia quem era você. Nunca haverá tempo para saber. Quem era você?
Éramos irresponsáveis e efêmeras . Que sorte. Passamos e com quantas pessoas nos apaixonamos?!. O espanto de ver os outros é uma violência, é uma violência, quase dói, essa multidão toda.EU NÃO QUERO. Queria seu corpo, seu colo. Seu corpo eu conhecia. Eu preciso dormir num colo que eu conheço, não nos queremos, nunca mais, foi ruim. Só uma questão de colo, sem solução eu sei. Você deveria viver às vezes.Eu não sei, sem solução, sem seu corpo também.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Por que como discurso gostaria de anunciar o fim dos bons modos. Para que todos os palavrões não mais se afugentem em sorrisos cinematográficos. Que todo fantasia ganhe uma avenida, e que ela esteja vazia. Para que todo cansaço da primeira vista transforme-se em tesão de primeira noite. Que toda mentira não se sustente por mais de dois alhares. O fim anunciado das equações de bares, a falência prevista do "moderno" enquanto ceticismo barato.
O grande final, finalmente , do estado de contrato. Que despida dos bons modos a ternura dance livre no corpo.
O calor, o caos, a casa e os calos oferecidos em ação de escambo da dor, porque somadas nossas faltas seremos tão leves que explodiríamos, seríamos estrelas ou bombas.
O carro , a pia, o cachorro, a cachaça e a caneta, palavras, pregos em minha mão...eterno lapidar de vida, coágulos de mel, gozo contemplativamente a formação que minhas retinas pensam ser . A vida é alheia, mas há mãos, as mãos oferecem tapas, oferendas ao meu estômago. Ofício dos alheios.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ENCONTRO, ENCANTO, EM CANTOS.
Era só um pouco de afeto em meio ao caos solitário que a cercava. Não havia espaço para a contemplação, para as frases imprevistas e únicas. No primeiro encontro só cabem clichês de pensamento pós- modernos de ilusões fundas das cavernas Nietzscheanas . A fotografia antiga, aquela da conclusão do ensino fundamental, que atrás de você aparece a bandeira do Brasil?, então, ela não diz mais nada sobre você. Você não tem identidade nenhuma e no fundo isso traz uma desespero calmo e frio. Fala de rituais ocidentais, de criações circundantes, como se isso lhe fosse familiar , talvez mais pelo caos do que pela beleza, perdeu a noção de beleza porque desde que conheceu a dor toda beleza é um punhal brilhante na carne anônima de qualquer personagem desconhecido e o que você diz não tem consistência, nem a tal densidade que lhe atrai em qualquer forma de criação e ser. Essa menina caminha para o infinito como quem caminha para casa. . Tem sapatos gastos, mochila pesada e pensamento cru, assim, de qualquer coisa, não sabe mais temperar idéias. A sintaxe é fraca, tesão morre se lhes impõem jogos burocráticos de prazer. É descrente a menina. Como se a vida nascendo lhe espantasse tanto que só lhe restasse o olhar fixo e vago mudando de cor que nem seus olhos no outono.
A outra do outro lado era um mistério impossível de se alcançar, um vulto que o olhar acompanhou querendo saber quem é. Uma nuca que excitava a menina e um conversa possível aconteceu. A moça em questão carregava nos olhos e nos outros sentidos o espanto da novidade por assim “ser” ela , viajava em abismos bonitos e impossíveis, com a ousadia de quem desconhece qualquer forma de outro que lhes apresente , criou um signo de força e prazer, liberdades impossíveis de ser, se houvesse antes um entendimento programado e seco...Não era desejável uma explicação possível.
O café ficou em 15º plano. O pasmo era o de ver e ouvir uma necessidade de palavras ocas, aquelas que ecoam pensamentos possíveis alimentando verdades sãs , enquanto o relógio trabalhava, um homem carregava a vida na cabeça, uma mulher carregava os sonhos numa imagem, um homem corrompia o corpo de uma mulher, uma mulher acabava com os sonho de homem, alguém morria, alguém gozava, alguém sangrava e a menina desejava com uma calma irritante , por acréscimos de ficção, aquela outra,possibilidade de paladar, de tato, tetas, tintas e tantas outras coisas não poéticas e táteis e lindas,,enquanto o café esfriava....mas tudo era regado à água, café e pão de queijo, chuva de fim de dia, trânsito de cidade urbana, pressa de rota e de rotina e vontade de mais. Mas ( conjunção ganha de advérbio?) a sintaxe que se dane, ela procurava signo nas suas nuances, ela ainda procura e desencontra e encanta-se ,ela é doida e dada à outra, que ,de repente, nem existe!!!! É outra, sempre, outra. Bonita e distante.Desejável.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

São Paulo, dia qualquer indo embora junto comigo.

Qual o veneno que acalma a dor dos ônibus cheios, das casas pequenas, do espaço que é sempre dos outros, aquela dor vazia que nem melodia de bossa-nova que não se justifica de tão desnecessária, aquele gole de cachaça descendo seco ...ainda seu espanto e desespero de ainda ver uma beleza inexplicavelmente inédita em rostos que nunca te dirão nada porque não se fazem possíveis e já fluíram lágrimas mais fundas que a distância entre as almas, as grandes misérias das pessoas que eram fortes e lindas, o luxo no meio do lixo, o lixo sentando nas cadeiras santas, suas retinas querendo te explicar o mundo, teu pão já sem café , tua coberta rasgando, seus becos maiores que a lua cheia, seus esmaltes secos e seu batom borrado, seu vestido sujo em que seu corpo mente, seus olhar gozando o espanto , o crime, a injustiça, o calor, o corpo e mais :o teu sangue ralo e sacro cheio de pulsação para A VIDA, se há ainda...Qual o veneno que acalma esse sorriso fácil por um olhar demorado , essa falta de verbo, esse pão de ver, esse não de andar para o sempre, essa negação quase louca das idéias comuns, esse cheiro de nada querendo corpo, comer o mundo e cuspir , cuspir logo em seguida porque tudo é muito adstringente e não sabe ainda engolir, as mãos em eterna fuga do seu corpo, o laço sempre impossível de seus sentidos, a mesa sempre vazia de flores, a saudade dos anos de menina, o erotismo impossível dos anos de mulher, a muralha de gente que atravessa em noites absurdas, as pessoas que nunca vai ver, todas as poesias impossíveis de se gozar, os lances sempre refeitos como uma maturidade que te ofende, numa previsão que te brocha...e ainda qual o veneno que acalma essas luas, essas, essa sensibilidade quase arrogante de não ser só instinto , sangue e carne?

Saudades fundas de quem um dia não vou ser, sem mais.

O Olhar já coordenava, antes.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Agora!

O que dizer de agora? Mortes , homicídios, acidentes de carro, embriaguez....e há amor nos bares ou igrejas?.Papai Noel e mamãe Noel no Motel Alasca. Superficialidade das pessoas de modo geral, as festas natalinas e a quadrilha de Drummond cabem NA SOBREMESA? E não era só o Cazuza que queria a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida... Porque antes de saber para que servia o amor já era tarde para perguntar...e o preço do café subiu e ninguém tem tempo para o olhar, as moças de Ipanema foram para a puta que pariu e o soneto amor total não flui mais lágrimas nas mocinhas bronzeadas artificialmente de idéias insolúveis em boa água. Antes o esboço era bonito e o vestido rasgado e feio é arte nas pernas das moças rebeldes e ocas. O abismo está gritando em todos os lugares, nomes lindos de princesas perdidas e feiticeiras irradiantes e lindas. 1, 2, 3 4 mil motivos para ser feliz divididos em suaves parcelas de sacrifícios vãos, de mãos livres e abraços sem gente. A boca vermelha engolindo o rapaz e lhe cobrando caro o sacrifício do prazer enquanto escambo de ações.

E arte criando metáforas, facas sujas de sangue...o abismo no centro dizendo-se espelho...35 garrafinhas pet formando um coração oco e vermelho, uma coca-cola antes do cálculo frio do final de namoro errado e. A mocinha suicida escutando Chico e remoendo memórias precipitou-se na ponte mais próxima e findou a agonia de existir.Será que tudo pode ser dito? A mocinha não disse nada a ninguém.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Corpo em brasa na tarde cinza, verbos imprecisos e palavras descrentes porque a política dos verbalismos sempre me abandona quando me perco na sensação esperta, ébria e quente. Atração do seu corpo e eu quase me dissolvendo na vontade de você porque não sei o que eu disse quase não sei lembrar o que você disse. Você não cabe na minha sintaxe, sua precisão é de signo , de pele, de paladar, de mordida . Porque por você eu criaria mentiras eróticas e intensas de noites acordadas e dia vermelho. Brilho de água no chão e a tarde cinza foi ficando quente na minha boca e seus desenhos povoando minhas vontades...e seu gosto abrindo espaço no meu desejo . Fome de você vai me enfraquecendo de palavras e em silêncio vou querendo seu corpo , seu calor, lábio e língua...quase não existe palavra pra dizer da confusão que você vai fazendo nos meus sentidos tão espertos quanto atônitos e nervosos. Haja chuva, chuva aja...ou não durmo. Preciso do seu corpo em pele , em silêncio, em brasa e em mim. Corpo e libido, língua e libido, lábio e libido...você, fome de você. Abandono a linguagem.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Calma, calma, calma. O abismo me parece inevitável.Se meus sentidos me enganassem eu acreditaria em todas as promessas noturnas .
Cansada, cansada, cansada. Se eu fizesse um filme para agredir seus ouvidos, sangrar essa sua pele bonitinha e cheirosa.Um filme onde o protagonista envolvesse o espectador em seu desespero e onde todos os personagens tivessem um grande buraco na testa e no fim ninguém de fato mudasse porque enxergaram a inutilidade do movimento contrário aos seus instintos ferozes e piedosos. Uma puta piedosa que não cobrava seus serviços aos miseráveis, chorava lágrimas quentes toda manhã por Henrique, um travesti de lábios grossos e vermelhos e caráter corrompido pela vaidade que lhe pedia peitos novos e bunda empinada. A puta foi mulher dos machos ordinários e seu dinheiro alimentava a vaidade de Henrique e também seu próprio gozo de comprar um corpo, comprar,comprar,comprar. Queria escrever uma história que arrancasse poesia do lixo hospitalar, o lixo hospitalar é o que mais fertiliza poesia: seringas sãs, sangue doente, sangue seco na ponta da agulha, algodão com secreções, nossos pedacinhos se fragmentando aos poucos , é muita poesia.Meus esmaltes também podem trazer uma poesia plástica com a acetona esterelizando minhas escolhas. E os cílios mais negros, o dente mordendo o lábio, o lábio lembrando a noite e a noite eternizada em insônia insana...a vida poderia ser um filme. Seríamos críticos dessa fotografia gritante, dessa puta vida!!!!!!!!!