sábado, 3 de setembro de 2011

Sobre ser só

Quando beijamos, transamos, chupamos e mordemos alguém com cumplidade e tesão cheios de eternidaede, isso ,de fato, nos faz fatalmente fiéis?, eu não acredito em fidelidade, e isso não quer dizer que eu não acredite em amor..pra mim o amor é a única coisa que nos justifica. No entanto amor não precisa de rótulo, quando eu acreditei no amor, meus rótulos se desmancharam e eu achei lindo porque eu nunca acreditei em sensatez e linearidade, e finalmente alguém me despia das roupas que eu nunca havia escolhido. Hoje eu tenho muito amor sem nome, uma gratuidade de sentimentos urgentes esperando parada nesse mundo besta e fingido. Eu tomo minhas possibilidades em todos os botecos sujos e cafés cults da cidade-tudo. Vi um filme tão bonito "A viagem de Lúcia", um senhor ao meu lado falou do livro que eu carregava, mas o filme começou e eu me encantei de ver como: Os corpos se entendem sem a gente, afeto e contrato não andam juntos ( na verdade,mal se conhecem), na maioria das vezes o que precisamos é de olhos nos olhos e simultaneamente corpos em sintonia, claro,.Que merda isso está parecendo livro de auto-ajuda, me disseram que a única auto-ajuda possível é: técnica masturbatória. Mas eu acredito no poder de catarse de toda a arte e do poder de eternidade de todo amor, só amor, sem pudor, crises, frescuras, falas, casas e CONTRATO........O amor ainda pode subverter... ainda acredito, porque meu amor vive, na minha língua , no meu lhar, no meu gosto e essencialmente em minhas intenções.

domingo, 31 de julho de 2011

Copos


Brincando com um copo cheio de sonhos, sementes de afeto sem útero gestor. Abortando em todas as noites de sábado das esquinas sujas de uma metrópole arrogante em suas pungências. Depois do décimo oitavo copo um primeiro corpo de amor forjado, pressionando o meu. Me dizendo da incompatibilidade de sangue, sal e santos.
Quando a vida vira uma montanha-russa, quando sou só apreensão e medo diante da força, quando sou contemplativa na fragilidade de sexo, nas enumerações das saudades, na intimidade morna do teu sereno, dos teus palavrões e doçuras, entre os rasgos de coração.
Comprei chicletes , cuspi em você, você bateu me bateu e eu acreditei no nosso fim. A cama estava limpa, nós, sujos

quarta-feira, 20 de julho de 2011

“Até um canário precisa de afeto”



Estou com uma pressa que você chegue. É que eu sinto falta do seu jeito de pedir desculpas e ainda tem gengibre na geladeira e só você sabe usar gengibre na cozinha. Eu também não escuto ninguém reclamar da minha insônia e dos meus livros jogados pela casa. Me disseram que você talvez não exista e por isso o meu amor é incondicional.
Quando você estiver triste e preferir dormir no sofá ou então sair antes do meu café eu não vou achar egoísmo as estranhezas que tanto me encantaram. Mexer no seu cabelo enquanto você dorme é tão bom quanto ficar horas beijando você.Se você existisse eu acreditaria em amor, nas religiões e até acharia a vida possível. Talvez você se irritasse com minha coleção de bolachas de chope e gostasse de decorar a casa com cores escuras ou até me convencesse a ler Best-seller e seria bom ter seus esmaltes discretos junto com minhas cores arco-íris.
Poderíamos assistir à chuva nos domingos cinzentos da cidade e eu poderia dizer o quanto eu acho Clarice a mulher mais linda do mundo e de como é estranho sonhar diariamente pulando num abismo escuro e talvez você quisesse segurar minha mão enquanto eu dormisse, mas não entenderia minha sensata recusa a esse remédio.
Enquanto você não existe eu me deito com ilusões passageiras e igualmente lindas, porque “a vida é urgente” tanto quanto minha solidão.Meu teto e meu chão por vezes me abandonam quando penso na sua possibilidade de corpo, boca, íngua, calor e olhar.Você existe tanto na minha imaginação que talvez meus amantes te enxerguem, meus amigos te amem. O mundo vai colocar os corpos em harmonia e eu vou trair você com muita liberdade.
A importância de alguém é uma construção egoísta, inútil e linda. É libido transcendente.
Eu uso você para justificar o sol, os feirantes, a falta de água , a crise mundial e até a guerra dos sexos. Se você existisse eu te daria tanto trabalho que talvez você gostasse de mim e perdoaria o amor que inventei ser seu; Todavia nem você nem eu existimos. Somos palavras tortas.

sábado, 2 de julho de 2011

"A objeção, o desvio, a desconfiança alegre, a vontade de brincar são sinais de saúde. Tudo que é absoluto pertence à patologia"" (Friedrich Nietzsche)


E eu sigo acreditando que minhas dúvidas são saudáveis. "O mundo anda tão complicado", quis amarrar o cadarço do seu all star vermelho e velhinho, mas você parecia ter pressa, não tomamos café junto, acho que meu café tá fraco, frio. Eu acho que é esse pó, será que se eu trocar a gente pode ficar mais tempo na cama? Os comerciais de t.v. dizem que com perfumes e banda larga seremos todos felizes. Eu queria ter amor pra te dá, tanto quanto eu amo a cidade suja e cinza , a água e o céu. Quando você me disse que iria embora para sempre eu fiquei tão triste que esqueci de me alegrar da novidade que eu sempre quis, eu não sabia o quanto não te amava, e isso não tem nada a ver com o seu gosto por filmes clichês americanos, ou pela música ruim que você ouvia. Eu sofri porque eu era egoísta. O amor de uma ave por uma árvore nunca daria certo, não sabíamos de quem eram as máscaras que escorreram nos nossos rostos molhados e vermelhos, foi tudo tão lindo e delicado até nosso fim, nosso amor era um enredo Clariceano com trilha sonora do Marcelo Camelo, mas o fim cazuzeou qualquer tentativa de arte. Virou romance realista cheio de cinismo e mentira. Talvez por força de futuro presente que é tão Horizontal e contemplável. O cheiro de café invadiu a sala de novo e quase saí correndo, a repetição dos gestos foi criando uma teia de afeto e tesão de olhos, e corpo morno e macio.
Era seu sal no meu lábio o que ardia todos os meus sábados, e no domingo eu vi 4 milhões de pessoas ansiando amor com o corpo em inclinações dionísicas e humanas porque quem santificou o homem? O homem também é um pedaço de carne e bem irracional, por vezes. Quem mandou saber-se? sabe-se quem?. Uma chuva me acalmou quando seu corpo saiu do meu hoje pela manhã, você voltou pra rotina de ônibus e fiquei lembrando do seu céu dia iinteiro.
Antes do verbo, antes do verbo, antes do verbo mate minha sede, será que um dia eu posso engolir você?

sábado, 25 de junho de 2011

Poema só para Jaime Ovalle


Quando hoje acordei, ainda fazia escuro

(Embora a manhã já estivesse avançada).

Chovia.

Chovia uma triste chuva de resignação

Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.

Então me levantei,

Bebi o café que eu mesmo preparei,

Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei

[pensando...-

Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.


Manuel Bandeira

quinta-feira, 23 de junho de 2011

paralelamente vendo!

As relações são tão frágeis e lindas. Empurramos palavras demais e entupimos de conceitos descartáveis no nosso café com leite e pão com manteiga, queremos terapias para entender a natureza, é tão humano sentir medo quando a gente enxerga o sol. Será que é medo de finitude? não contemplamos o bastante, o sol deve ser mesmo eterno, o amor é eterno, essas coisas lindas e inexplicáveis não podem durar menos que a eternidade, claro que não! confirmem, por favor, que não. Queria que todo pão tivesse menos suor e mais alegria. Não sinto meu amor quando meu corpo só responde a instinto, porque que eu penso que o afeto que se tem pode salvar o mundo da cocaína, do imposto, do imposto,do imposto, do impooooooooooosto. Pode matar nossa selvageria besta de civilização, pode destruir esse rato da moral, odeio moralismos pungentes, queria as coisas macias, livres do poder e querendo só afeto, ai, sou tão neohippiepóspresente. É muito vergonhoso querer botar meu afeto e minha força nesse espaço que é de nada e de tudo? emaranhado de idéias que nascem e morrem toda hora.Adoro ouvir dezesseis da Legião. E os pedaços do opala azul de Johny pelo chão. Minhas mãos estão num vão incalculável. As pessoas que se aproximam ultimamente, não tem braços, mãos, não sinto, não calculo ou memorizo peso, pele, cheiro.Será uma existência paralela? Mas o mundo é tão linnndo.Chega a doer tanta beleza, na cidade que me hospedo a fumaça trabalha duro para desviar o olhar, o olho é preciso, preciso acreditar no céu pra ter o pé na terra sem medo de afundar em meio aos gritos e dores da carne, da consciência, a consciência é um rato comendo nossa língua, nossa palavra. Tô com medo, meu afeto tá virando pedra em meus nervos, quero virar líquido e amor e banhar de lágrimas e suor meu amor em outro corpo projetado como nuvem linda e pesada. quero ser a chuva, quero ser a chuva, quero ser a chuva, quero ser a chuva, vou pro Ibira com o Pessoa e o bandeira. Vou-me embora. Tenho que me salvar de mim, muito densa, quero vê os casais, vê o amor desfilar, ainda que nos outros.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sobre a parada gay. E o poder de afirmação o que se diz?


A democracia da diversidade. Quem disse que há? piada, das boas. O pensamento crescente de liberdade sexual esbarra na barbárie dos carecas, " Mas as pessoas na sala de jantar tão preocupadas em nascer e morrer". E todo mundo mudo ou muda-se de assunto pra comer melhor com arroz e feijão.Essa mulitidão toda que vai às ruas é pra quê afinal? orgias da carne? expôr sua ferida que a família arranha sempre que pergunta_Você pensa em filhos?. E os namoros?. Um pensamento do século passado me fez pensar melhor sobre se é necéssario afirmar-se .

Michel Focaut escreveu A História da sexualidade um ponto de vista interessantíssimo para dizer da sexualidade. Diz sobre desmestificar o sexo, dissolver a ideia de que o sexo é a grande descoberta "realizar-se como mulher"? "realizar-se como Homem"?. Para ele numa sociedade realmente democrática não é preciso dar notícia do seu sexo pra ninguém "se eu preciso me reafirmar em algum lugar eu já me tornei vítima". Para ele a única subversão boa em relação ao sexo é viver o sexo com prazer sem precisar desenhar isso pra ninguém.

Eu me apaixono por esses pensamentos que vão irrigando minha maneira de pensar chacolhando meus conceitos e o colo da filosofia é sempre o que me é mais macio.

Porque as coisas novas estão me aguardando em livros que ainda não abri. Colocar-se no ponto de vista do outro pra dizer de um velho tema.

A liberdade se perdeu nas redes dos exibicionismos latentes , embora o que se tenha de mais bonito esteja numa gaveta que só a gente sabe.

Ando lendo poesia e flosofia, estou, na verdade, tentando me salvar. Percorri pensamentos budistas sobre verdades ancestrais, Entre o nirvana e o sansara querendo a paz que também nós, ocidentais ignorantes , queremos absorver dia qualquer, depois da quarta-feira de cinzas.

Quando o amor é unidade a gente sente uma calma transbordar do peito, não sei se resignação diante da condição humana de sede ou se amor vindo mesmo de dentro. O fato é que conhecer uma ideia sempre me alegra e me acalma como proporcionalmente me entristece conhecer gente sem ideias nem curiosidades.

Comecei o texto dizendo de sexualidade e agora esbarro nessa amplidão fragmentad que vou traçando sem definir nada com a fluidez de quem nada sabe. Quero estudar blocos de ideias pra olhar melhor sobre minhas verdades efêmeras e frágeis e só a escrita me tira do desmaio que é a rotina de ônibus e gestos mecânicos que o meio social nos impõe a encenar.

Quero dançar com meus prazeres simples e lindos como um espreguiçar-se depois de nadar.

A vida pode ser linda, lida e escrita.