domingo, 2 de junho de 2013

Dadaísmo de bar.

Colarinho,copo e boca.
Mesa,coxa,tesão.
De Caetano,de lado,de gole em gole.
Sorver Bob Marley e arrotar Foucault,cuspir um conto num canto do bar.
Bruta Flor que forja a rima por cima do muro do óbvio.
As cores de Almodóvar ou as saias,ou as cintas, os caminhos das mãos, os enfeites das orelhas, dos olhos, dos ombros,dos lábios.
Veste a roupa e passa por cima do filho,do marido,da minha colcha de retalhos.
No bar de sempre deitou a memória de ontem.
A toalha de mesa,os ditos ao pé do ouvido,a vida além do livro de ponta, da ponta da caneta,da pasta de dente.O pasto das gentes.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Pernas, café,lençol, filme, música,mantra.
O frio , o fim de semana, chuveiro quente, maracujá, xampu.
Tênis, caneta compacta azul, livro de poesia, panfleto do cinema.
As cores escorrendo, o peito pulando de amor anônimo, o olhar desviando da dor, os nós, a noite, mesa,bar,comida e palavra, carinho e feição .
Maria mudou de casa.
Agora, uma palavra me tomou o corpo e engravidei de mar, o mar serenou no peito e amanhã vai ser de brisa,brisa de mulher e mãe, eu comi estrelas , eu comi estrelas.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

lápis com borracha na ponta
riscos
lá menor
flamboyant
chuva
encandear pequenos gestos: mão e cintura.
ganhar o espontâneo: divinare 
segurar sua mão e não soltar.
cuidar da doçura
geleia de acerola
chá e mel
pão
manhã
manhã
manha.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Golpe da nuca
Açoite vadio de tua libido
Entrei, afoita entre flores baldias
Espaço nu de teu peito,palco de rua teu desespero e fome de mar
Volto, vingando a saudade arranhada entre teus gestos.
Crua, essa pressa de morrer , esse gosto de manga precipitando minha língua na manha de teus ais.
Enquanto  é mais mar que cruz,impere.
Enquanto profana, inflamada...a ardência das primeiras palavras nossas!

domingo, 14 de abril de 2013

Seria o desmantelo
rastro
ÍNGUAgem
luz,lá fora
raio, aqui dentro
unha e sílaba
poente e poste
nó
nudez descarada
da vida
dá.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


Sobre o transbordamento.

Ela abriu a porta do apartamento, o zíper do jeans, um sorriso de ninfa. Foi numa manhã de sábado que ele guardou seu telefone.
Ela usava caneta vermelha, escreveu seu número embaixo do umbigo dele, assim fora guardado.
E ele que andava exibindo uma cara grave que nem dele era, cumprindo prazos que nem sabia o motivo.
No último domingo comprou papel de carta, caneta compacta preta, como ele gosta, para escrever para ela.
Se sentiu tão bem. Tudo que sabia dela é que ela joga sinuca, pois essa era a mesa da sua cozinha e também a cama, sabe que ela é leve e desliza carinhos pela pele.
Ele falou pouco, como de costume, afinal era só uma desconhecida e talvez, pensa agora, sua carta nunca encontre endereço.
O fato, pensava, é que há sorrisos por aí, para limpar o olhar,para livrar o corpo da roupa arrumada.E por instantes brilhantes,entender que a função nobre do corpo é dança, carinho; sagrado e rotineiro como nos relacionamentos longos.
Serenos e dionisíacos, das paixões fulminantes e tempestuosas, ou efêmeras e felizes nos encontros do acaso, numa manhã laranja.
Ela lhe disse que gosta de ler artigos de ufologia. A moça tem uma cara bonita e iluminada.
Ele viu frases em francês escritas com caneta permanente na porta do banheiro.
Não trocaram telefones, só sorrisos e abraços.
Ele reparou nas frases Nietzscheanas nas coxas dela, nunca vira antes Nietzsche tatuado em coxas tão bonitas.
Naquela madrugada, ela fumou maconha e disse que o dinheiro corrompe o amor, mas o sexo ainda é livre.

domingo, 7 de outubro de 2012

Maçã e sangue


Porque eu acordo de madrugada sentindo  seu calor, às vezes em outros corpos, em novos lençóis.
Em pele;
Porque eu acordo, amor!
Latente vontade de você virando soluço... Fazendo amor com a lua.
Ela me engoliu numa noite dessas.
Foi uma lua de agosto, você sabe que em agosto meu corpo vira estrela e quer brilhar toda hora.
Foi nele que eu me perdi numa grande aventura de pernas e força.
Elásticos abraços, círculos de mantras em agonia iluminavam meus olhos febris.
Anjos desceram para brindar meus sorrisos ébrios, ganhei colares de pedras raras.
Desci uma montanha de desejos satisfeitos, atravessei um vale de ínguas cruas e bebi o sol junto a uma deusa nua.
Um deus erótico brindou à nudez e me sequestrou durante horas.
Desci do sonho, rasguei as senhas, não aceitei as esperas.
Engoli os impulsos, Expulsei demônios.
Deixei meu corpo quieto e você chegou com um copo de sangue e duas maçãs verdes,
Quero entender seu vermelho me tingindo a alma, já não morreremos de fome.
Até o entendimento das dissonâncias em ternura, beberemos sua cor para aliviar nosso cansaço, o inferno pode ser servido em taças de cristal, amor.