quinta-feira, 30 de maio de 2013

Pernas, café,lençol, filme, música,mantra.
O frio , o fim de semana, chuveiro quente, maracujá, xampu.
Tênis, caneta compacta azul, livro de poesia, panfleto do cinema.
As cores escorrendo, o peito pulando de amor anônimo, o olhar desviando da dor, os nós, a noite, mesa,bar,comida e palavra, carinho e feição .
Maria mudou de casa.
Agora, uma palavra me tomou o corpo e engravidei de mar, o mar serenou no peito e amanhã vai ser de brisa,brisa de mulher e mãe, eu comi estrelas , eu comi estrelas.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

lápis com borracha na ponta
riscos
lá menor
flamboyant
chuva
encandear pequenos gestos: mão e cintura.
ganhar o espontâneo: divinare 
segurar sua mão e não soltar.
cuidar da doçura
geleia de acerola
chá e mel
pão
manhã
manhã
manha.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Golpe da nuca
Açoite vadio de tua libido
Entrei, afoita entre flores baldias
Espaço nu de teu peito,palco de rua teu desespero e fome de mar
Volto, vingando a saudade arranhada entre teus gestos.
Crua, essa pressa de morrer , esse gosto de manga precipitando minha língua na manha de teus ais.
Enquanto  é mais mar que cruz,impere.
Enquanto profana, inflamada...a ardência das primeiras palavras nossas!

domingo, 14 de abril de 2013

Seria o desmantelo
rastro
ÍNGUAgem
luz,lá fora
raio, aqui dentro
unha e sílaba
poente e poste
nó
nudez descarada
da vida
dá.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


Sobre o transbordamento.

Ela abriu a porta do apartamento, o zíper do jeans, um sorriso de ninfa. Foi numa manhã de sábado que ele guardou seu telefone.
Ela usava caneta vermelha, escreveu seu número embaixo do umbigo dele, assim fora guardado.
E ele que andava exibindo uma cara grave que nem dele era, cumprindo prazos que nem sabia o motivo.
No último domingo comprou papel de carta, caneta compacta preta, como ele gosta, para escrever para ela.
Se sentiu tão bem. Tudo que sabia dela é que ela joga sinuca, pois essa era a mesa da sua cozinha e também a cama, sabe que ela é leve e desliza carinhos pela pele.
Ele falou pouco, como de costume, afinal era só uma desconhecida e talvez, pensa agora, sua carta nunca encontre endereço.
O fato, pensava, é que há sorrisos por aí, para limpar o olhar,para livrar o corpo da roupa arrumada.E por instantes brilhantes,entender que a função nobre do corpo é dança, carinho; sagrado e rotineiro como nos relacionamentos longos.
Serenos e dionisíacos, das paixões fulminantes e tempestuosas, ou efêmeras e felizes nos encontros do acaso, numa manhã laranja.
Ela lhe disse que gosta de ler artigos de ufologia. A moça tem uma cara bonita e iluminada.
Ele viu frases em francês escritas com caneta permanente na porta do banheiro.
Não trocaram telefones, só sorrisos e abraços.
Ele reparou nas frases Nietzscheanas nas coxas dela, nunca vira antes Nietzsche tatuado em coxas tão bonitas.
Naquela madrugada, ela fumou maconha e disse que o dinheiro corrompe o amor, mas o sexo ainda é livre.

domingo, 7 de outubro de 2012

Maçã e sangue


Porque eu acordo de madrugada sentindo  seu calor, às vezes em outros corpos, em novos lençóis.
Em pele;
Porque eu acordo, amor!
Latente vontade de você virando soluço... Fazendo amor com a lua.
Ela me engoliu numa noite dessas.
Foi uma lua de agosto, você sabe que em agosto meu corpo vira estrela e quer brilhar toda hora.
Foi nele que eu me perdi numa grande aventura de pernas e força.
Elásticos abraços, círculos de mantras em agonia iluminavam meus olhos febris.
Anjos desceram para brindar meus sorrisos ébrios, ganhei colares de pedras raras.
Desci uma montanha de desejos satisfeitos, atravessei um vale de ínguas cruas e bebi o sol junto a uma deusa nua.
Um deus erótico brindou à nudez e me sequestrou durante horas.
Desci do sonho, rasguei as senhas, não aceitei as esperas.
Engoli os impulsos, Expulsei demônios.
Deixei meu corpo quieto e você chegou com um copo de sangue e duas maçãs verdes,
Quero entender seu vermelho me tingindo a alma, já não morreremos de fome.
Até o entendimento das dissonâncias em ternura, beberemos sua cor para aliviar nosso cansaço, o inferno pode ser servido em taças de cristal, amor.

terça-feira, 11 de setembro de 2012


Eu comprei um espelho com moldura envelhecida, ele combina tanto com as roupas que eu sonho paro seu corpo que eu ainda não conheço, ontem eu pintei meu cabelo de um tom mais escuro, também cortei um pouco, será que você prefere longos ou curtos? Fiz um bolo de fubá e arrumei a cama. O vento varreu meu quintal, senti que levou velhos fantasmas, fiz uma festa de perfumes e cores. A pia está suja de novo, reaprendi a conviver com o vão da sala.  Comprei papel de carta, mas eu não sei seu endereço, você gosta de e-mail? Ou posso escrever cartas?
Eu decorei um poema do Drummond, aprendi a bordar, porque você de certo vai querer que eu lhe faça um suéter cinza, ou sei lá, alguma coisa.
Eu vou gostar de sua voz, tomara que seja rouca, como voz de fumantes quando bebem vodca com gelo, talvez você goste de sol nascendo em padarias da cidade, ou de dormir quando o mundo acorda .Que você tenha silêncio.
Vou levar você aos lugares que eu gosto de ver, há lugares estratégicos para ver as pessoas, tomara que você goste de pessoas, porque eu amo. Os estranhos que cruzam minha rota, que pisam no meu pé. Eu amo querendo matá-los, beijá-los, matá-los, porque eu os vejo. Você precisa ter um coração: sangrando, morrendo, azulando, gritando. Há também de ter pulso, esse antes no sangue que no verbo, o discurso de arabesco pode mentir sua alma limpa. Sua alma? Nua alma. Eu quero ter seus poros minando alma, pingando alma, cavando carne com unha e adaga. Sua força será outra, ela vai explodir diante de meu olhar amarelo e terno.  
Talvez você tenha pressa, tomara que não, pois eu não nego minha preguiça para lhe dizer, lhe adivinhar, porque meu mundo não precisa de palavras, ele precisa de tempo e espaço. Nosso silencio vai explicar se o futuro dura essa madrugada. Dura.