domingo, 26 de janeiro de 2014

Ela.

                       Eu fiz festa dentro dos meus olhos quando ela chegou.Estendi as mãos e abri os potes de café e de açúcar como se fosse fazer um rito ancestral, e talvez seja antigo esse querer bem que quer dar de comer,de beber.
                        Algumas estrelas cintilam nos nossos olhos e achamos numa ingenuidade doce que lá estão para ver as estrelas perfumadas que nosso suor emana. Mas estão naturalmente,como está meu tesão pela sua voz em sussurro anunciando o céu em verbos molhados. E nossas palavras são brincos,são saias de viscose e renda enfeitando a frescura azul de nossas vontades.
                        O mundo continua armado de lâmina,de tédio,de roupas sérias, nós seguimos nuas de razão e amantes de beijos,mordidas, carinhos e flores.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Festa - por Adilma Secundo Alencar.

Dançam em pele
O passo anunciando desejo
Escorrendo desejo entre os dedos
Entre as coxas
Os olhares nus incendeiam de desejo os tímidos da sala de estar
Não fazem sala
Fazem festa

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

vaidade -por Adilma Secundo Alencar.

Quando lembro que podes não gostar de mim
Minha vaidade se entristece
De reluzente fica tímida.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

sereno.

Tua língua é metáfora enfiada no meu ouvido.
tua pele é desaguar ,enxurrada alagando instinto.
sina e canto de samba.
o sereno convidou Maria para dançar.
as pernas tão comoventes quanto os olhos
me conduziram por cadências nuas,nuinhas
fiando gosto de madrugada e terra
gemendo silêncio de marés
abri os olhos e Maria,nua como como meus olhos,
Maria me disse indecências e atou minhas mãos  às dela, só com o olhar.


sábado, 19 de outubro de 2013

Plantação de nuvens alaranjadas.

Arranhões que suas unhas fizeram no céu da cidade
Pétalas lilases não são signos, são grandes olhos
Um prato  forrado de gritos sem nome
Retalho da sua nudez 
Ressaca de seu perfume
Pra te ver passar ensaiei esse silêncio de flores amarelas
Jardim, mãos e todas as dúvidas do mundo 
Uma plantação de nuvens alaranjadas despindo minha calma
Esse luar prolonga seu corpo de ontem para amanhã.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Último Reclame - por Adilma Secundo Alencar.

Perdoe-me, será meu último reclame. Onde mesmo você escondeu meu riso solto? Diga-me. Eu comprei pera e porque você não está? Eu não gosto de peras, você ao menos deveria ter levado junto com suas meias vermelhas esse cheiro de maracujá que invadiu a tarde, eu não vou mais resmungar, sua ausência me deu dez anos , eu fiquei feia. Eu evito as bancas com flores porque já não há quem cuide delas. Desisti de ter uma menina, você sabe que eu amo crianças, você sabe que dói ver tudo caindo, eu não sei chorar no ombro de amigo,ando devagar porque minha pressa já não tem razão. Quando você soltou minhas mãos eu comi estômagos, cabeças, vísceras, olhos, peitos, falos, fígado, eu continuo com fome de borboletas. Eu tenho uma escrivaninha azul , eu me sento no final da tarde e choro ter perdido seu amor e seu endereço, porque descobri uma autora pernambucana que tece versos com gosto de mangaba, eu ainda escrevo cartas bonitas e guardo minha saudade em gavetas com cadeado, não conto pra ninguém desse amor que é seu. A loucura, o desespero e a melancolia não cabem na minha rotina. Meus reclames são de desespero. Quando você vai me devolver à primavera? 
Devolva meu riso e leve sua escova de dentes.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Agora eles dois vão ter um lugar só deles, ele vai aprender a cozinhar e outro prometeu lavar a louça depois de assistir ao jornal. Todos as manhãs vão ter um ao outro e vão agradecer o encontro com silêncio. O mundo está cheio de gente,mas não é sempre que alguém se demora dentro de um outro olhar, que liga para saber se você conseguiu aquela nota na disciplina de metodologia ou que resolve comprar o álbum de sua cantora preferida só pra comentar a faixa cinco, que sabe que verde é sua cor favorita e que você adora manga, e tem preferencias por palavras assonantes, sabe que carinhos nas costas apagam até dias de transito e chuva ou que sua palavra preferida é a palavra ternura, sabe que você nunca vai chorar em público ,mas seca seu pranto mesmo assim, seca seu o pranto com um punhado  de piadas fora de hora e de doce de leite no meio da madrugada, e sabe tirar seu olhar dos classificados, dos boletos, cobre suas pernas em noites frias e chora se você estiver triste, a compaixão é cheia de dor, é cheia de coração, eles serão felizes e doloridos.Terão sempre as mãos cortadas porque as rosas do jardim deles é a rosa mais bonita que se vê na rua. Eles teem muito amor, e por isso choram.