segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Em um estado triste, puramente hormonal, será saudável essa angústia mensal, datada e esperada como compromisso? Vem assim sem porquê e pra quê , uma agonia, vontade de tudo e nada ao mesmo tempo. Hoje só dramas franceses, nada de felicidade americana, quero antes os simbolistas aos modernos, a natureza morta ao surrealismo, quero pregos, agulhas, fogo, fogueira à fogão.

Chocolates amargos. No bar, à noite, somos nós duas.Você na sua frieza preferida, amarga e vermelha, é minha:CAMPARI.

Você na minha boca, cazuza no meu ouvido e o mundo parece perfeito pra mim, meu esmalte preto, tão contrário do rosa chiclete da semana passada, me faz coerente.

E daí? Passa enfim,se durasse eu não durava.Quando passei nem sei mais ou triste, no entanto há tanto pra se dizer, eu não quis sua rotina nem seu cansaço. Minto quando falo de amor , me desculpa , mas amor é clichê demais pra um ser livre porque quem casa quer casa,e eu, como você sabe, um mês aqui outro lá, quem tem casa quer filho e eu não sei ser mãe, eu só sei parir frases feitas pra te conquistar.

Eu só quero seu corpo morno pra dormir comigo, não há promessas de chinelos, cachorro e casa. Café só na padaria pós balada. Eu amo seu jeito lindo de carregar suas pastas de conteúdos densos e clássicos, embora você sem roupa e teorias literárias seja bem mais interessante e persuasivo. Perdoa esse jeitinho safado de te vê, porque eu sei do seu esforço pra parecer sério.

Eu to triste e não há o que possa ser feito. Não se desespere, suas intenções passam e logo outra te leva e dá as promessas que eu não sabia.

Há amor no mundo, nos trens, metrôs e terminais. Pessoas mandando mensagens Pessoanas ou mesmo trechos de música do Victor e Léo, teclando ali no celular enquanto o ônibus não chega e o trem não passa, gente com esfihas e refrigerantes, chocolates e pão de mel, e quem nunca comprou cartões com frases fofas dizendo de um amor eterno? ( impossível, a eternidade é uma brincadeira dos filósofos), no entanto é essa tentativa que é linda, sei lá como dizer, mas todo mundo sabe o que é se pintar pra alguém, o perfume no corpo inteiro que será cheirado, o biscoito preferido, o “mentos de melancia” o chocolate ao leite com café sem açúcar ,é isso que é mais bonito que as obras clásssicas do cinema, o designer do Niemeyer e as telas de Renoir. Porque não há programa melhor do que se isolar do mundo com seu amor chocolates e uísque ou cachaça mesmo, livres do olhar e das roupas do mundo êh felicidade desmedida e fácil extraordinariamente fácil.

Eu não posso mentir minhas crises pra fazer ninguém feliz e seguro. Os psicólogos de botequim que bebam e vomitem suas próprias idéias e projetos, eu prefiro seguir perdida e vulnerável.

Eu já tive amor e sei que ele é um “pacote completo”...mas “o ar me abriu de novo (mas com dor) uma liberdade no peito”.É isso mesmo não tem jeito sempre caiu no colo do Pessoa e adoooro.

Entre tantos, tantas e tantãs eu vou de Frida e friso o vermelho passional como quem sabe matar um amor e ver sangrar até a última gota como gesto necessário de catarse emocional inevitável e densa.

É... eu sei, minha melancolia tá “punk”. Não é fácil ter hormônios contribuindo pra minha pré-disposição melancólica . Enfim essa eternidade melancólica há de passar, já me sinto bem, to quase feliz. Viva a vodka que é rápida e precisa. Não experimentem com moderação.

Um comentário:

  1. Sempre te acompanho, escreves muito do que sinto.

    Abraços.

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